Se você ainda acha que o mercado de commodities se resume a olhar para o céu e torcer por chuva, precisamos conversar. O campo e o mercado viraram laboratórios de dados, e quem não usa Inteligência Artificial e Analytics para ler o cenário, está voando às cegas.
Recentemente, rodei uma análise profunda sobre o comportamento das commodities nos últimos anos. O objetivo? Sair do “achismo” e encontrar padrões matemáticos sólidos.
Aqui estão os 3 principais insights que o meu projeto revelou:
1. O “Rali” da Tempestade Perfeita (2020-2022)
Os dados não mentem: houve um descolamento agressivo de preços a partir de março de 2020. A análise visual evidenciou claramente o impacto de uma “tempestade perfeita”: a quebra nas cadeias de suprimento globais somada à desvalorização do Real.
O resultado? Uma inflação de custos brutal que redefiniu as margens de lucro e criou um cenário desafiador para o planejamento.
Legenda: Eu tentando manter a calma olhando os custos de produção em 2021.
2. Metais e Dólar: Sensibilidade Extrema
Ao rodar a matriz de correlação, os números foram categóricos: o subíndice de Metais possui a maior correlação positiva com o Dólar (superior a 0.70 em diversos períodos).
A lição: Este é o setor mais exposto à volatilidade cambial imediata. Se o câmbio balança, os metais sentem o impacto antes de qualquer outro setor.
Legenda: O gráfico do Dólar encontrando o gráfico de Metais e todos nós tentando enteder o houve
3. Energia é Geopolítica Pura
Enquanto o agro segue ciclos biológicos, o setor de Energia joga outro jogo. Minha análise mostrou picos de variação muito mais bruscos neste setor, frequentemente descolados do índice Agro.
Isso sugere que o preço da energia obedece menos à demanda interna e muito mais a dinâmicas geopolíticas (como decisões da OPEP e conflitos internacionais). É volatilidade importada na veia.
Legenda: O preço do barril de petróleo pulando de um lado para o outro em uma semana
Conclusão
A tecnologia não substitui a experiência de mercado, mas ela ilumina os pontos cegos. Entender essas nuances — como a sensibilidade dos metais ao dólar ou a desconexão da energia — é o que separa quem apenas reage ao mercado de quem se antecipa a ele.